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Morte de dona Ione: PMs teriam sido impedidos pelo governo do Ceará de ir a homenagem, relata Pedro Arthur

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Homenagem a dona Ione, feita pelo MBL, por ter sacrificado sua vida para salvar a vida de policiais

Homenagem a dona Ione, feita pelo MBL, por ter sacrificado sua vida para salvar a vida de policiais

Segundo relato do porta-voz do MBL, Pedro Arthur, policiais militares de Saboeiro teriam dito que gostariam de ir à homenagem a dona Ione, morta por faccionados em Flamengo (CE), mas que o governo do estado não permitiria presença oficial da corporação no ato.

De acordo com o relato do porta-voz do MBL, Pedro Arthur, a homenagem a dona Ione, ex-cozinheira da PM assassinada por faccionados em Flamengo (CE), teria sido marcada também por um bastidor de tensão envolvendo a Polícia Militar e o governo do Ceará. Segundo ele, ao ligar para o coronel responsável pela região para convidar a corporação ao ato, ouviu elogios à iniciativa e agradecimentos pelo gesto, mas também um alerta de que nem o comandante nem outros policiais poderiam comparecer fardados à cerimônia. O oficial teria dito que, se houvesse presença ostensiva de PMs no evento, “viria uma resposta dura” do governo estadual.

Ainda conforme Pedro Arthur, o coronel mencionou que, em situações de desagrado político, policiais acabam “jogados de canto” na corporação, removidos para cidades muito distantes ou colocados em funções de baixa relevância, entre outras formas de retaliação administrativa. Diante disso, o comando local teria proposto uma solução intermediária: em vez de posicionar uma viatura fixa no local do ato, a PM faria rondas preventivas pelo distrito, para tentar garantir algum nível de segurança sem caracterizar apoio formal à homenagem organizada pelo movimento.

Pedro Arthur entrega homenagem para filha de dona Ione, morta por faccionados

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O porta-voz afirma também ter conversado presencialmente com policiais do destacamento de Saboeiro, que, segundo ele, relataram “querer muito ir” ao evento por reconhecerem que dona Ione, ao recusar envenenar policiais e manter laços de amizade com a tropa, teria “salvado a vida” de muitos deles. Mesmo assim, esses PMs teriam dito que não poderiam participar oficialmente, porque o governo do estado não permitiria sua presença num ato de forte tom antifacção, com críticas à política de segurança vigente. Diante da sugestão de manter uma viatura estacionada no distrito durante a cerimônia, Pedro Arthur diz ter ouvido de volta que, se o comando cedesse, “todos seriam represaliados”.

Na fala pública durante o evento, Renan Santos retomou essa versão, atribuindo ao governador do Ceará a responsabilidade por barrar a presença ostensiva da polícia. Ele declarou que “a polícia infelizmente não pôde vir porque o governador do estado impediu”, sugerindo que o governo teria escolhido “o lado errado” no embate entre comunidades aterrorizadas por facções e o crime organizado. Em seguida, em um discurso de tom radical, prometeu “honrar o nome de Ione” caso chegue ao poder, afirmando que sua proposta é “purificar e banhar as ruas do Ceará de sangue de faccionado em nome dela” – frase que reforça a retórica de guerra total contra facções como o Comando Vermelho.

Até aqui, o governo do Ceará e o comando da PM não apresentaram publicamente a mesma versão descrita por Pedro Arthur, que se mantém como relato de bastidor vindo de um dos organizadores da homenagem. O que está documentado é que Antônia Ione foi assassinada por recusar ordem de envenenar policiais e por ser vista como “amiga da PM”, caso que levou à prisão de suspeitos apontados como integrantes de facção e transformou a moradora de Flamengo em símbolo local da resistência ao crime organizado. O suposto veto à presença formal de policiais no ato, se confirmado, adiciona uma camada política e institucional a uma tragédia já marcada pela brutalidade e pelo abandono sofrido por Ione em vida.

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